O momento certo para iniciar o processo de desfralde e como torná-lo mais simples para todos

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Por volta dos 2 anos, o desfralde começa a entrar no radar das famílias, fazendo-se frequentemente acompanhar de dúvidas, ansiedade e mil opiniões contraditórias vindas de todos os lados. A boa notícia é que não há uma fórmula única, pelo que a resposta está em respeitar o ritmo de cada criança.

Há marcos no crescimento de um filho que ficam na memória para sempre: os primeiros passos, as primeiras palavras e, inevitavelmente, o dia em que a fralda deixa de fazer parte da rotina.

O desfralde é uma dessas etapas que, apesar de natural, costuma gerar muitas dúvidas: “Será que já está na hora?”, “Faço bem em tirar já as fraldas?”, “Porque é que os filhos dos outros conseguiram mais depressa?”, etc.

A resposta mais sincera é que não há nem um momento perfeito, nem um método infalível. Existem, sim, sinais a observar, estratégias que ajudam e a certeza de que, com paciência e sem pressão, a maioria das crianças chega lá à sua maneira.

Este artigo reúne as orientações partilhadas pelo Serviço de Psicologia da Astoria International School para ajudar as famílias a lidarem com este processo com mais confiança e menos ansiedade.

Como saber se o seu filho está pronto para deixar as fraldas

Antes de dar o primeiro passo, vale a pena observar se a criança já apresenta sinais de maturidade física e emocional. Estes indicadores não têm de aparecer todos ao mesmo tempo, mas quanto mais evidentes forem, maior será a probabilidade de o processo correr bem.

1. A fralda permanece seca por períodos mais longos

Se a fralda se mantém seca durante mais de duas horas seguidas (e se o seu filho acorda da sesta sem ter urinado), significa que a bexiga já tem capacidade de retenção suficiente para iniciar o treino.

2. A criança já avisa antes de fazer as suas necessidades

O facto de o seu filho começar a verbalizar a necessidade antes de agir (e não depois) é um sinal bastante positivo, podendo-se concluir que já existe consciência corporal suficiente para antecipar as suas necessidades fisiológicas.

3. A criança é capaz de compreender instruções com múltiplos passos

Se o seu filho consegue seguir as suas instruções quando lhe diz, por exemplo, para ir buscar os ténis e trazê-los consigo para poder calçar-se, significa que já tem a maturidade cognitiva necessária para compreender o processo de desfralde.

4. A criança insiste em fazer as coisas à sua maneira

O famoso “Não!” é, por mais incrível que pareça, um bom sinal, uma vez que a capacidade de tomar decisões próprias é essencial para que o seu filho sinta o desfralde como algo que escolheu fazer (por oposição a uma imposição), e isso faz toda a diferença na motivação.

5. A criança imita o que os adultos fazem

A imitação é uma das formas mais poderosas de aprendizagem nesta fase. Se o seu filho mostra interesse em copiar o comportamento dos pais ou de irmãos mais velhos na casa de banho, aproveite esse impulso natural.

6. A criança começa a colocar as coisas “no sítio certo”

Guardar os brinquedos na caixa própria para o efeito e repor objetos no seu devido lugar são ações demonstrativas de um comportamento organizacional. Ainda que pareça irrelevante, a verdade é que reflete uma capacidade mental que também se aplica ao uso do bacio ou da sanita.

7. Os horários começam a ser previsíveis

À medida que o sistema digestivo amadurece, a criança começa a ter vontade de urinar ou defecar em horários mais regulares, muitas vezes antes ou depois das refeições. Essa previsibilidade é essencial para começar a pensar em abandonar as fraldas.

Como iniciar o processo de desfralde

Uma vez confirmados os sinais, já pode dar início ao treino com calma e sem pressa. Eis algumas orientações práticas:

1. Comece por promover a familiarização

Antes de retirar a fralda por completo, comece por levar o seu filho à sanita em momentos estratégicos, especialmente após as refeições, quando a probabilidade de sucesso é maior. Este contacto gradual ajuda a criar uma rotina e associações positivas.

2. Sublinhe que a sanita não é um assento e que a privacidade deve ser valorizada

O tempo que o seu filho passa na sanita ou no bacio não deve ultrapassar os 5 a 10 minutos. As sessões demasiado longas criam ansiedade e associações negativas.

Mais ainda, o bacio (se usado) deve ficar sempre na casa de banho, para que a criança compreenda que a sua privacidade merece ser respeitada.

3. Torne o momento agradável

Ter um livro favorito na casa de banho pode ajudar o seu filho a relaxar e a criar uma associação positiva com o espaço. Se a criança tiver medo da sanita (o que, de resto, é bastante comum), um bacio personalizado é uma ótima alternativa; permita que o seu filho o escolha e decore, para que o interprete como sendo seu.

4. Recorra a livros infantis, se precisar de ajuda

Os contos infantis com personagens que passam pelo mesmo processo podem ser ferramentas bastante eficazes, já que a criança se identifica com o herói da história e quer imitá-lo.

5. Faça a distinção entre dia e noite

O desfralde noturno não coincide necessariamente com o diurno: quando a criança começar a acordar várias noites seguidas com a fralda seca (ou a acordar a meio da noite para ir à casa de banho), já sabe que chegou o momento certo para retirar a fralda também à noite.

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O que deve ter em mente antes de começar

O desfralde só deve ocorrer quando casa e colégio se encontram em sintonia. O ideal é que o processo comece em casa, onde a criança se sente mais segura, para depois ser generalizado. Com base nesta premissa, atente nas seguintes orientações:

  • Escolha a estação certa: a primavera e o verão são ideais, já que menos roupa é sinónimo de menos complicações e mais facilidade em lidar com potenciais acidentes;
  • Evite demasiadas mudanças em simultâneo: a entrada no colégio, uma mudança de casa, o nascimento de um irmão ou qualquer outra alteração significativa na rotina são razões mais do que válidas para adiar o início do processo;
  • Mantenha a consistência: a interrupção do processo torna-se confusa para a criança; como tal, dê-lhe início somente quando tiver a certeza de que é o momento certo.

Por último, mas não menos importante, evite a pressão: tentar estar à altura dos pais já é um esforço considerável para uma criança pequena, pelo que, se os adultos também exercerem pressão, o efeito poderá ser o oposto ao desejado.

O que fazer se algo não correr bem

As tentativas demasiado precoces podem dificultar o processo, se bem que fazer exatamente o contrário, sem qualquer estrutura ou orientação, também não ajuda. O ritmo de cada criança é único e, como tal, o papel dos adultos é criar as condições e não forçar os resultados.

Se o processo decorrer sem ansiedade excessiva, punições ou castigos e com uma linguagem adequada e tranquila, a criança irá colaborar, até porque é do interesse da própria ser bem-sucedida.

No entanto, se surgirem situações como uma recusa persistente em cooperar, recaídas frequentes ou ansiedade e medo intensos relacionados com a sanita, já sabe que é altura de pedir ajuda. A educadora, a psicóloga ou o pediatra da Astoria International School pode ajudar a identificar as causas físicas ou emocionais que estejam a dificultar o processo.

Perguntas Frequentes

1. O meu filho tem 3 anos e ainda usa fralda. Devo preocupar-me?

Não necessariamente. Há uma grande variação individual, e alguns fatores (como temperamento, experiências anteriores ou mudanças de rotina) podem atrasar o processo. Se surgirem outras preocupações no que diz respeito ao desenvolvimento da criança, consulte o pediatra.

Existe alguma evidência que aponta nesse sentido, mas a diferença não é absoluta. O mais importante é observar os sinais de prontidão específicos de cada criança, independentemente do género.

Não o obrigue; deixe cair o tema por alguns dias e reintroduza-o com calma. Algumas estratégias como decorar o bacio com adesivos ou envolver a criança na escolha do acessório podem ajudar a reduzir os níveis de resistência.

Deve haver coordenação, mas não tem de ser necessariamente idêntico. O importante é que haja comunicação regular entre a família e a educadora para que a criança receba mensagens consistentes em ambos os contextos.

Sem dúvida! Os acidentes fazem parte do processo e não devem ser motivo de repreensão, muito pelo contrário: uma reação calma da parte dos adultos é fundamental, por oposição a uma resposta ansiosa ou punitiva, que poderá criar bloqueios e prolongar significativamente o processo.

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