A neurociência das crianças que alternam entre Português e Inglês sem pensar

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Revista Pitágoras — O Novo Caminho para o Ensino

A revista do Astoria International School dedicada à inovação e às boas práticas educativas. Explore as edições que marcaram o percurso da nossa comunidade escolar.

Alternar entre Português e Inglês sem hesitar não é nem um dom nem sorte: é o cérebro a fazer exatamente aquilo para que está talhado. Do berço à adolescência, eis o que a neurociência nos diz sobre a aprendizagem de Inglês na infância.

Há um momento em que os pais ouvem os filhos alternar entre Português e Inglês a meio de uma frase, sem hesitar. A explicação está na forma como o cérebro infantil aprende: quando se fala de Inglês para crianças, o que está em causa é a absorção natural da língua.

É por isso que cada vez mais famílias procuram um colégio privado em Lisboa, como a Astoria International School, onde o Inglês faz parte do dia a dia desde cedo.

Um cérebro construído para aprender línguas

Antes de perceber onde e como isto acontece na prática, vale a pena parar para refletir sobre a questão que a maioria dos pais nunca chega a colocar: o que acontece de facto, ao nível cerebral, quando uma criança aprende duas ou mais línguas em simultâneo?

A neurociência do desenvolvimento tem vindo a responder cada vez mais detalhadamente, sendo que as respostas ajudam a perceber por que motivo o timing importa tanto quanto o método.

O momento em que um bebé começa a distinguir sons de línguas diferentes

Um bebé consegue distinguir praticamente todos os sons de todas as línguas do mundo. É surpreendente, mas é assim: por volta dos seis meses, o cérebro começa a especializar-se nos sons da língua (ou línguas) que ouve todos os dias, tornando-se mais eficiente no seu reconhecimento e, ao mesmo tempo, menos sensível aos que raramente escuta.

Chama-se a isto «afinação percetiva», algo que explica porque é que um adulto português tem tanta dificuldade em distinguir certos sons da língua inglesa que uma criança exposta ao idioma desde bebé capta sem qualquer esforço consciente.

É também esta a lógica por detrás do nosso modelo de Inglês para bebés no Berçário da Astoria: quanto mais cedo o ouvido é treinado, mais amplo permanece o seu leque de perceção sonora.

Porque é que uma criança de três anos aprende sem esforço o que um adulto demora meses a memorizar?

Um adulto aprende uma língua sobretudo pela via explícita: decora regras, conjuga verbos e traduz mentalmente uma frase de cada vez. Já uma criança pequena aprende através de um mecanismo notável que se designa por «aprendizagem estatística», no âmbito da qual o cérebro deteta padrões e regularidades na fala que a rodeia, sem qualquer instrução formal.

É por isso que uma criança de três anos a brincar, a cantar ou a ouvir uma história em Inglês interioriza estruturas gramaticais complexas sem nunca ter ouvido falar em “gramática”. 

Esta lógica orienta o método imersivo do nosso Jardim de Infância, em que a aprendizagem se dá através do jogo, da expressão dramática e de projetos temáticos e nunca através de exercícios descontextualizados.

A história por detrás do conceito de “período crítico” e o que a ciência atual tem a dizer sobre o mesmo

Será que existe mesmo um prazo biológico para aprender uma língua com fluência nativa? A ideia ganhou força científica a partir da década de 60 do século XX, quando investigadores associaram a plasticidade linguística ao amadurecimento cerebral que se prolonga até à puberdade.

Alguns casos clínicos de privação linguística severa pareceram confirmar a hipótese: passado esse período, a aquisição de uma língua tornou-se estruturalmente diferente e muito mais difícil.

Décadas de investigação vieram, entretanto, matizar esta visão: atualmente, sabe-se que não existe um interruptor que se desliga numa idade precisa, mas antes vários períodos sensíveis que se fecham gradualmente e a ritmos diferentes: a perceção fonética estreita-se mais cedo do que, por exemplo, a aquisição de vocabulário.

Ainda assim, a evidência é consistente num ponto: quanto mais cedo começar a exposição a uma segunda língua, maior será a probabilidade de esta se instalar como se fosse materna.

O que acontece no cérebro quando duas línguas convivem desde nascença

As diferenças são literalmente visíveis em exames de neuroimagem. Em crianças que se tornam bilingues desde muito cedo, as duas línguas tendem a ativar redes neuronais sobrepostas, partilhando o mesmo espaço cerebral de forma integrada. Em quem aprende uma segunda língua sendo já adulto, essa separação entre circuitos costuma ser mais nítida, exigindo um esforço mental bastante superior para alternar entre idiomas.

A investigação científica tem também associado o bilinguismo precoce a uma maior densidade de massa cinzenta em regiões ligadas ao processamento linguístico, assim como a um sistema de controlo executivo (o mecanismo responsável por filtrar distrações, gerir a atenção e alternar entre tarefas) mais treinado. Não é por acaso que as crianças bilingues frequentemente revelam ter maior flexibilidade cognitiva em contextos que nada têm que ver com línguas.

Qual é o alcance máximo da plasticidade linguística: 10, 12, 15 anos…?

A boa notícia é que a plasticidade cerebral não desaparece na entrada para a escola primária, nem sequer na adolescência. Simplesmente vai-se tornando progressivamente mais seletiva.

Entre os 10 e os 12 anos, a maioria das crianças ainda consegue desenvolver uma pronúncia muito próxima da nativa, desde que a exposição seja consistente. Depois da puberdade, essa margem estreita-se, embora continue a ser perfeitamente possível atingir uma elevada fluência em vocabulário, compreensão e escrita em qualquer idade.

É por isso que, na Astoria, mantemos a continuidade do Inglês ao longo de todo o percurso, incluindo a preparação para os exames Cambridge, consolidando o que foi construído nos primeiros anos, em vez de o deixarmos esmorecer.

O que dizem os investigadores portugueses sobre o bilinguismo em contexto escolar

Entre 2011 e 2015, seis agrupamentos de escolas públicas experimentaram algo pouco comum à época: dar aulas de Estudo do Meio e Expressões Artísticas em Inglês.

Os resultados, avaliados por uma equipa externa e independente, foram tão positivos que, a partir do ano letivo de 2016/2017, o projeto deixou de ser uma experiência isolada e deu origem ao «Programa Escolas Bilingues em Inglês (PEBI)», hoje presente em 42 escolas de todo o país, do Pré-Escolar ao Ensino Básico.

A história, contudo, não ficou por aqui: a Universidade de Coimbra juntou-se ao British Council para continuar a estudar este modelo a fundo, acompanhando mais de 4200 alunos até 2028. O objetivo é simples de explicar: perceber exatamente o que faz o ensino bilingue funcionar tão bem.

A conclusão principal, no entanto, já está à vista há mais de uma década: quando bem feito, aprender em duas línguas desde cedo compensa mesmo muito.

Uma manhã numa sala do Colégio Astoria, onde se falam três línguas antes do recreio

São nove horas da manhã numa sala do 1.º Ciclo do Colégio Astoria. Um grupo de alunos do 3.º ano resolve um exercício de Matemática em Português enquanto, ao lado, outra turma treina verbos em Alemão a propósito de uma canção que aprendeu na semana anterior. Ninguém estranha nada disto: trata-se simplesmente de um dia normal.

Esta convivência natural entre línguas constrói-se passo a passo, com cada língua a chegar no momento certo:

  • Do Berçário ao 2.º ano do 1.º Ciclo: bilinguismo Português-Inglês, vivido no dia a dia através de rotinas, brincadeiras e histórias;
  • 3.º e 4.º anos do 1.º Ciclo: entrada do Alemão, já com a base bilingue bem consolidada;
  • A partir do 5.º ano (2.º Ciclo): chega o Francês, que se soma às línguas anteriores.

Cada língua apoia-se na anterior, nunca competindo entre si. É esta progressão cuidada (e não a quantidade de línguas propriamente dita) que explica por que motivo os alunos do Astoria lidam com o multilinguismo com tanta naturalidade.

Uma vantagem que começa muito antes do que se imagina

A ciência confirma o que muitos pais já intuem ao verem os filhos alternarem entre línguas sem pensar duas vezes: quanto mais cedo e mais naturalmente a segunda língua entra na vida da criança, mais profundamente esta se instala. É esta convicção, sustentada pela investigação científica, que é vivida todos os dias nas nossas salas de aula.

Se procura um colégio com Inglês em Lisboa onde este processo comece desde o berço e se prolongue de forma coerente até ao final do 3.º Ciclo, convidamo-lo a conhecer de perto a Astoria International School e a agendar uma visita às nossas instalações.

 

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Até que idade é que o cérebro de uma criança aprende Inglês mais facilmente?

A investigação em neurociência aponta os primeiros anos de vida, sobretudo até aos 10-12 anos, como a fase de maior facilidade para adquirir uma pronúncia próxima da nativa. Depois da puberdade, essa margem estreita-se, mas continua a ser perfeitamente possível atingir uma fluência elevada em vocabulário, compreensão e escrita em qualquer idade.

Não. A investigação mostra que o cérebro infantil consegue gerir duas línguas em simultâneo sem prejuízo para nenhuma delas, sobretudo quando a exposição é consistente e contextualizada. O que pode acontecer são pequenas trocas de palavras entre línguas, que fazem parte do processo natural de aprendizagem.

Em crianças bilingues, ambas as línguas tendem a ativar redes neuronais sobrepostas no cérebro desde muito cedo, partilhando o mesmo espaço de forma integrada. Em adultos que aprendem uma segunda língua mais tarde, essa separação entre circuitos costuma ser mais nítida, exigindo mais esforço mental para alternar entre idiomas.

É um conceito desenvolvido na década de 60 do século XX segundo o qual existe uma janela biológica em que o cérebro está particularmente recetivo à aquisição de uma língua com fluência nativa. A ciência atual mostra que não se trata de um limite rígido, mas de vários períodos sensíveis que se fecham gradualmente e a ritmos diferentes consoante a componente da língua.

Quanto mais cedo, melhor: a investigação mostra que a exposição ao Inglês desde o berçário aproveita a fase em que o cérebro está mais recetivo a sons e padrões linguísticos novos. Os colégios com imersão bilingue desde os primeiros meses de vida, como a Astoria International School, permitem que essa aprendizagem aconteça de forma natural e sem esforço consciente.

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